O mercado precisa de “resolvedores de problema”

O mercado precisa de “resolvedores de problema”

Não há quem não esteja familiarizado com a fama das repartições públicas de serem ineficientes e burocráticas, além de contarem com os famosos “funças”, apelido maldoso dado ao estereótipo do funcionário público concursado: encostado, preguiçoso, “braço curto” e por aí vai. Mas toda generalização é burra, como disse Nelson Rodrigues, então colocar todos os servidores públicos no mesmo pote é no mínimo desonesto – muito embora uma parcela faça mesmo jus à piadinha –, quando na verdade este é um mal tanto do setor privado quanto do público. E o problema muitas vezes não é nem estar encostado, mas se limitar a realizar somente as funções básicas do seu cargo em vez de tentar resolver o problema que se apresenta.

Contam que certa vez um rapaz começou a trabalhar em uma empresa como ajudante geral. Chegou para o seu gerente e perguntou o que esperava do trabalho dele. O superior lhe falou que explicaria depois, deu três reais e pediu que fosse à venda da esquina e trouxesse meia dúzia de laranjas para deixarem um suco pronto para a equipe na copa. Ele foi e dez minutos depois voltou falando que não tinha laranjas na venda. O gerente então pegou o ramal, chamou outro ajudante, mais experiente, lhe deu os três reais e pediu que fosse à venda da esquina e trouxesse meia dúzia de laranjas. Cinco minutos depois, o telefone toca. Era o segundo ajudante avisando que não tinha laranjas, mas a manga estava fresquinha e tinha também abacaxi e maracujás, mas que se o gerente fizesse questão de laranjas ele tinha se informado que havia uma feira próxima, só demoraria uma meia hora a mais. E caso quisesse uma das outras frutas e o dinheiro faltasse, o dono da venda deixaria marcado no nome da empresa, para alguém passar depois e acertar. O gerente pediu que o rapaz mesmo escolhesse e voltasse, se virou para o novo ajudante e falou: “isso que eu espero do seu trabalho, que tente resolver o problema, mesmo quando a decisão não for sua”. A historinha é boba, mas ilustra muitas das situações que passamos no nosso dia a dia. Quem nunca ficou irritado com o atendimento da empresa de TV a cabo, quando ficam te transferindo de um lado para outro na mesma ligação, perdendo às vezes mais de uma hora para resolver um problema simples? Isso quando resolvem. Das duas, uma: ou a empresa não dá autonomia para a pessoa resolver ou o funcionário não faz questão. Em ambos os casos, quem perde é o cliente.

“Resolvedores de problemas”

Trabalhando com comunicação, muitas vezes nos deparamos com necessidades dos clientes que não estão exatamente na nossa área de expertise. Não fazemos cartões de visita, por exemplo, mas já tivemos um cliente que precisou e não tinha ideia de como mandar fazer. Por que não atender? Desde o início enxergamos nossa empresa como “resolvedora de problemas em comunicação”, o que é um diferencial competitivo. Como uma empresa pequena, é difícil brigar com as grandes, de mais nome e tempo de mercado, mas temos ao nosso lado uma das principais armas: o bom atendimento. Então seja qual for a necessidade que o nosso cliente possa ter, nós nos esforçamos para entregar o que ele precisa. E se não conseguimos resolver internamente, encontramos quem faça e atuamos como suporte para o fornecedor. O objetivo é sempre tirar a dor de cabeça do nosso cliente.

Outras agências de comunicação fazem isso? Sim. Sem cobrar a mais? Geralmente, não. Em geral, são cobradas pequenas comissões para este tipo de serviço extra, o chamado “bônus de venda”, e custa entre 5% e 15% sobre o valor do serviço. É uma prática normal de mercado e muitas vezes gera uma boa renda para a agência, mas nós escolhemos outro caminho, apostando na fidelização do nosso cliente.

Vá um pouco além

Para trabalhar desta forma, tanto eu como meu sócio sentimos a necessidade de “esticar os braços” um pouco além da nossa zona de conforto e aprender ao menos o básico sobre tudo que rodeia o nosso trabalho. É claro que temos nossas áreas de expertise, mas nos esforçamos para ter um conhecimento amplo em diversas áreas. Eu não sou programador HTML, mas entendo o suficiente para interagir com um programador e passar a ele as necessidades que eu tenho e o que espero do resultado. O mesmo vale para serviços de gráfica, edição de vídeos e tantas outras habilidades que profissionais dedicados entendem muito mais, mas que nós temos que conhecer para nos comunicarmos de forma assertiva com eles.

Este também é o tipo de profissional que buscamos como parceiros, que não se fecham nas suas áreas de conhecimento e sempre procuram oferecer um pouco mais, e acredito que embora “sucesso profissional” signifique uma coisa para cada um, a característica de ser um “canivete suíço”, com diversas funções, é a chave para qualquer pessoa alcançar seus objetivos profissionais.

Vá um pouco além, você não vai se arrepender.