Cenário pós-pandemia: home office permanente é para você?

Cenário pós-pandemia: home office permanente é para você?

Enquanto as empresas se perguntam quando voltarão ao trabalho presencial, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, enviou um e-mail para toda a equipe da empresa informando que, mesmo após a pandemia, quem preferir continuar em home office (e a função permitir) terá essa possibilidade.

Como profissional de comunicação, sócio de uma agência de pequeno porte, há três anos que escolhi para mim e para a empresa – em conjunto com meu sócio –, o trabalho remoto. Como tudo na vida, há vantagens e desvantagens, mas serei o mais objetivo possível.

Pelo lado da produtividade, só vejo vantagens. Hoje em dia vejo que cada um tem seu “timing” e respeitar isso é tirar o melhor de cada um. Eu, por exemplo, gosto de acordar cedo. Às 6h estou de pé e por não precisar me deslocar, pegar transporte público ou trânsito, antes das 7h já estou produzindo. Este é o momento do dia que escolhi para atividades que necessitam de mais concentração, como escrever um texto mais longo ou criar alguma estratégia, porque tenho duas horas de absoluto “silêncio”. Meu sócio costuma começar por volta das 9h, mesmo horário que meus clientes, então tenho esse tempinho antes de precisar lidar com qualquer coisa emergencial que eles possam trazer. Em contrapartida, também acabo “parando” mais cedo. Por volta das 17h já estou em um modo mais de sobreaviso, sem propriamente produzir, mas atento para tomar alguma decisão ou responder a alguma solicitação do cliente. O dia acaba mesmo por volta das 18h30. É claro que nem sempre é possível conseguir fazer tudo nos meus melhores horários, mas procuro organizar desta forma e, na medida do possível, ser disciplinado. Estes são outros dois pontos cruciais para quem trabalha em casa: organização e disciplina.

Se você depende do seu superior no cangote, olhando a tela do seu computador, para conseguir produzir, essa vida de home office não é para você. Em casa ninguém te controla, então você pode ficar o dia todo nas redes sociais, assistindo à TV, brincando com o cachorro, mas os prazos chegam e quem te contratou espera pontualidade e qualidade. Claro que com maior flexibilidade de horário, em alguns momentos você produzirá mais do que outros. Conheço alguns profissionais freelance que trabalham praticamente só de madrugada, pois conseguem se concentrar melhor e usam o dia para seus projetos pessoais ou para descansar. Se o prazo de entrega possibilita e não há necessidade de acionar o cliente para tirar dúvidas ao longo da produção, por que não?  Ao contrário dos “chefes” de antigamente, hoje em dia ninguém tem tempo ou paciência para ficar puxando profissional adulto pela mão, cobrando entrega. Quem não se compromete não encontra espaço e pronto. Isso é outro ponto em que vejo vantagem no home office: gerenciamento mais eficaz.

Para atender algumas demandas específicas, contamos com profissionais freelance. Hoje temos a confiança de entregar a tarefa e o prazo e “esquecer”, pois sabemos que vai vir do jeito que queremos e no tempo que precisamos. Essa relação de confiança se constrói com o tempo e torna a vida dos dois lados muito mais fácil. Eu não fico cobrando a designer que desenha o jornal do nosso cliente. Se ela faz de dia, de noite, durante a semana ou no domingo à tarde, para mim tanto faz. A menos que eu precise de uma revisão de emergência, que tenha que ser naquele momento, por uma questão e horário de envio para a gráfica, por exemplo, ela trabalha no tempo dela.

Para quem gerencia, porém, é importante ter controle das demandas e prazos para não deixar quem te contratou na mão, por isso as aspas em “esquecer” ali em cima. Mas com a tecnologia, atualmente só não se organiza quem não quer. Existem diversos aplicativos, como Trello, Asana e Monday, só para citar três famosos, que colocam a sua produção nos trilhos. Na Kiwi, utilizamos o Trello, que dentro das nossas necessidades foi o que atendeu melhor.

Com organização e disciplina, temos o que a meu ver é a principal vantagem: qualidade de vida. Trabalhando de casa é possível encontrar tempo para tarefas do dia a dia sem correria, como levar e buscar o filho na escola, passear pelo quarteirão com o cachorro, fazer e comer a sua própria comida (custa menos e é mais saudável que comer na rua), fora a economia em saúde mental que é não precisar pegar transporte público lotado ou o trânsito de São Paulo todos os dias.

Existem desvantagens? Como afirmei no início do texto, tem alguns contratempos inevitáveis. Comunicação é o primeiro deles. Trabalhar em equipe é um pouco mais desafiante sem estar do lado dos colegas. Claro que Whatsapp, videoconferência, armazenamento de arquivos em nuvem e outros recursos estão aí para ajudar, mas já percebemos que em alguns casos é muito mais produtivo estarmos juntos fisicamente. As coisas se resolvem mais rápido. Não saber quando parar é outra. Da mesma forma que não é saudável passar o dia em frente à TV, trabalhar 18 horas no dia também não é. E isso acontece se você deixar. Então, dentro das possibilidades, crie as regras que melhor se ajustam ao seu trabalho e dê tanto valor ao seu descanso quanto dá para o seu trabalho.

O atual cenário tenebroso forçou novos moldes de trabalho para quase todo mundo. Algumas, como o Twitter, encontraram aí uma oportunidade de mudar permanentemente seus paradigmas. Com certeza alguns profissionais também passaram a se enxergar melhor neste estilo de vida do que batendo cartão, enquanto outros não veem a hora de voltar.

Por gosto ou estilo de trabalho, o home office não é para todo mundo. Será que é para você?